Em memória de Manuel Chaves Carvalho
Do Livro “Igrejas e Ermidas de Santa Maria em Verso“
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Nossa Senhora do Ar
Tem cinquenta e seis anos [1]
Mandada edificar
No tempo dos Americanos.
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Quando a Igreja foi feita
Muita gente à missa ia
Era para qualquer seita
Que nessa altura havia.
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Mais tarde de culto serviu
Só à nossa religião
E o primeiro padre que existiu
Foi o padre Artur Brandão.
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Que morreu quando ia
No navio motor Arnel
Numa viagem que fazia
De Santa Maria para São Miguel.
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Talvez pelo estado do mar
Ou pela culpa dos tripulantes
O navio foi encalhar
Numas rochas nos cabrestantes.
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A igreja era de madeira
Alguém fogo lhe pegou
Ardeu de tal maneira
Que bem pouco escapou.
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O governo deu dinheiro
E com a ajuda do povo
Em dois mil, a dois de Janeiro
Foi inaugurada de novo.
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Onde esteve presente
A população local
E o Senhor Presidente
Da Câmara Municipal.
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Estiveram em Santa Maria
Algumas Senhoras e Senhores
As Juntas de Freguesia
E o Governo dos Açores.
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Por D. António Braga benzida
Na presença dos paroquianos
No lugar da que foi destruída
Pelo fogo há quinze anos. [2]
Manuel Chaves Carvalho
[1] tinha 56 há data do livro Igrejas e Ermidas de Santa Maria, agora 10 anos mais
[2] passados mais 10 anos desde que foi escrito o livro, ardeu há 25 anos.
História
O primitivo templo foi edificado juntamente com o Aeroporto, em 1944, pelo Comando das Forças Armadas dos Estados Unidos da América para o atendimento às necessidades espirituais do pessoal da base. Com características ecuménicas, era destinado à prática dos principais cultos professados entre aquele pessoal, a saber: catolicismo, protestantismos e judaísmo. Para esse fim, ao fundo do grande salão, possuía uma espécie de palco com um altar muito simples destinado aos cultos referidos. Posteriormente foi construída uma pequena capela onde se venerava uma imagem de Nossa Senhora do Ar (padroeira da Força Aérea Portuguesa) e onde se encontrava o sacrário. Esta capela, destinada exclusivamente ao culto católico, após autorização do Bispo de Angra, D.Guilherme da Cunha Magalhães para o culto dominical, foi consagrada a 6 de Abril de 1947. Foi seu primeiro padre, o padre Artur Brandão, que faleceu no naufrágio do navio de cabotagem inter-insularNM Arnel, no baixio dos Anjos, em 19 de Setembro de 1958.
Erguido em madeira, sofreu um incêndio em 12 de Junho de 1985 que o destruiu quase por completo. Foram infrutíferos todos os esforços dos bombeiros e da população para salvar o templo, do qual subsistiu apenas a torre sineira, de alvenaria, que havia sido recentemente construída.
Com recursos públicos e da população, o templo foi reconstruído, sendo inaugurado solenemente a 2 de Janeiro de 2000.
Presentemente, dispõe de pároco próprio que assiste a toda a população católica do Aeroporto.
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20 Dezembro, 2011
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