Em memória de Manuel Chaves Carvalho
Do Livro “Igrejas e Ermidas de Santa Maria em Verso“
Foto: Wikimedia
Um convento existia
De Santo António de Portugal
Onde está hoje em dia
A Biblioteca Municipal. [1]
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Há muitos anos os Mouros
Eram uma grande quadrilha
Enterraram alguns tesouros
À volta da nossa ilha.
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André de Almada viu
Na Maia mais o vinhateiro
Desembarcarem de um navio
Uma arca com dinheiro.
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Uma grande cova foi feita
Pelos Mouros numa vinha
Os dois estavam à espreita
Para verem o que a arca tinha.
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Quando os Mouros embarcaram
André de Almada e o vinhateiro
A arca desenterraram
Levando com eles o dinheiro.
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André Fernandes de Almada
Ficou com um grande património
Com este dinheiro ficou acabada
A Ermida de Santo António.
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A Ermida Construiu
Ainda restou algum dinheiro
Que na altura dividiu
Uma parte com o vinhateiro.
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Era um antigo convento
Mas a sua construção
Encontra-se neste momento
Em bom estado de conservação.
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Tem uma biblioteca aberta [1]
Onde milhares de livros estão
Todos os dias aberta
Para servir a população.
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Pedro Soares de Sousa Donatário
Que mandava naquele momento
Gastou o dinheiro necessário
Para construir este convento.
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Manuel Chaves Carvalho
[1] Referia-se à Biblioteca Municipal que há data do livro “Igrejas e Ermidas de Santa Maria” estava neste convento, tendo entretanto mudado para o novo edifício, na Rua da Boa Nova.
Wikipédia:
O pesquisador Manuel Monteiro Velho Arruda refere que a igreja remonta a uma ermida erigida no século XVI, mas que, no entanto, não se encontra citada entre as registadas por Gaspar Frutuoso na povoação em fins daquele século. Prossegue, acrescentando que, no testamento do 4º capitão do donatário da ilha, Pedro Soares de Sousa, e de sua esposa, Beatriz de Morais, feito em Vila do Porto a 20 de fevereiro de 1579, se estipula que:
- “(…) e disseram eles testadores que eles tem prometido para se fazer uma ermida a Santo António quinhentos réis, sendo, caso que ao tempo do seu falecimento lhe não tenham ainda dado, manda que lhe dêem do monte mór por ser dívida prometida.“[1]
Em fins do século XVII Frei Agostinho de Monte Alverne, nas suas Crónicas da Província de São João Evangelista das Ilhas dos Açores, refere que:
- “A Ermida de Santo António é tão antiga que, quando os frades [franciscanos] foram fundar o convento nesta ilha, na era de 1607, antes de terem igreja, nela rezavam o seu ofício Divino e administravam os Sacramentos.“[2]
ARRUDA refere ainda que a primitiva ermida teve “fábrica” (fundo patrimonial), embora, com o tempo, houvessem desaparecido os documentos que o comprovavam. Na visita do Licenciado Francisco ou Andrade Albuquerque, em setembro de 1662 se afirmava que a fábrica havia sido feita por Francisco Vaz, em terras abaixo de São Pedro – o Velho -, que a trazia o capitão António de Magalhães.[3]
[editar]A recuperação da ermida e a instituição do Recolhimento
O texto da escritura de dote de fábrica da ermida, datado de 9 de janeiro de 1686, firmada pelo Alferes André Fernandes de Almada e sua esposa, Leonor de Andrade, refere que a primitiva ermida, sob a invocação do santo, não tinha “padroeiro e nem fábrica“, estava “falta de ornamentos” e ameaçando ruína. Dotavam-na assim perpétuamente de quinze alqueires de terra em Malbusca, que rendiam em cada ano quinze alqueires de trigo, com a condição de serem “dotadores administradores” da dita ermida, benefício extensível aos seus descendentes.[4]
Monte Alverne acrescenta que:
- “André Fernandes de Almada e sua mulher, Leonor de Andrade, em 15 de fevereiro de 1687 fundaram um Recolhimento junto da referida ermida que foi acrescentada e onde, aos 9 de dezembro de 1689 foram admitidas ‘certas donzelas’, com grande aplauso do povo, com missa cantada e sermão, e o património de doze moios [de trigo] de renda fixos.“[5]
A petição ao Cabido da Sé de Angra, feita por Almada e sua esposa em 3 de junho de 1687 para fundar o Recolhimento, esclarece que a sua capacidade era para até vinte donzelas, entrando logo quatro filhas suas e mais três mulheres de boa vida para as educarem. A dotação referida, entretanto, era de apenas onze moios de trigo anuais “in perpetuum“.[6]
Data desse momento a atual feição da ermida, assim como a pedra de armas sobre o portal, onde ainda se lê a data de 1689.
Sobre as recolhidas, o Alvará de Licença, passado naquele mesmo ano de 1689, informa que as três mulheres que acompanharam as quatro filhas dos instituidores eram oriundas do Recolhimento de Santa Maria Madalena[7], e seus nomes:
- Isabel de São Pedro (70 anos de idade);
- Bárbara de Santa Clara (51 anos de idade); e
- Maria da Piedade (41 anos de idade).
As quatro filhas dos instituidores eram:
- Maria de Santo António (23 anos de idade);
- Antónia de São Pedro (20 anos de idade);
- Margarida de São José (15 anos de idade); e
- Francisca dos Anjos (8 anos de idade).[8]
Ingressaram ainda, na mesma ocasião, outras jovens, a saber:
- Maria do Desterro (25 anos de idade);
- Maria da Glória (20 anos de idade);
- Isabel de São João (17 anos de idade);
- Branca do Livramento (22 anos de idade);
- Angela de Jesus (26 anos de idade); e
- Francisca de São João (9 anos de idade).[9]
Por morte dos benfeitores, as suas disposições testamentárias previam, entre outras, as seguintes:[10]
- “(…) que, quando Deus Nosso Senhor for servido de os levar desta vida presente, seus corpos serão sepultados na Capela maior do Recolhimento de Santo António de que são padroeiros; e que seus corpos irão a sepultura envoltos em hábito do seráfico Padre São Francisco (…).“
- “Disseram eles testadores que eles erigiram um Recolhimento de Santo António de que são Padroeiros com cláusula de que por sua morte pudessem nomear padroeiro, e assim nomeiam a seu filho o dito Capitão António Fernandes de Andrade, e, por sua morte, sucederá seu filho José, e por morte dele correrá linha direita preferindo sempre macho.“
O mesmo documento reiterava as obrigações dos padroeiros para com o templo:[11]
- “(…) com condição de paramentarem a Igreja do dito Recolhimento e prover o Sacrário do Santíssimo Sacramento e fazer a festa de Santo António, e pagarem a um capelão que lhe assista a dizer Missas aos Domingos e [dias] Santos e concertar o que for necessário ao dito Recolhimento, e além disso, lhe mandarem dizer perpetuamente pela alma dos Testadores a Novena do Natal, de que darão conta cada três anos, somente da novena de missas, pelo mais pertencer aos visitadores eclesiásticos, na forma das constituições deste Bispado [de Angra].“
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6 Dezembro, 2011
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