Ermida de Nossa Senhora do Monserrate

Em memória de Manuel Chaves Carvalho

Do Livro “Igrejas e Ermidas de Santa Maria em Verso

No Paúl uma Ermida havia

Que  tinha uma imagem bela

Ainda se vê hoje em dia

Onde era o lugar dela.

.

Há anos que está desfeita[1]

Mas há quem diga hoje em dia

Que foi a segunda a ser feita

Na Ilha de Santa Maria.

.

O altar de ajulejos era forrado

Na Igreja de São Pedro estão

Onde se vê um bispo ajoelhado

A fazer a sua oração.

.

Manuel Corvelo construiu

A Igreja de nossa Senhora

Há muitos anos se demoliu,

Estando em ruínas agora.[1]

.

Segundo se ouve dizer

Por alguém da população

Que brevemente vai haver

Uma nova reconstrução.[1]

.

Manuel Chaves Carvalho

[1] Aquando do livro “Igrejas e Ermidas de Santa Maria em Verso“ em 2001, estava ainda em ruínas, tendo decorrido esforços para o seu restauro a partir de 1997 tendo o restauro sido concluído em 2005.

História

Gaspar Frutuoso, nas Saudades da Terra, refere uma Ermida do Monserrate, erguida por Heitor Gonçalves Minhoto, um rico mercador que viveu em Vila do Porto no início do século XVI, e que desposou D. Joana de Sousa, filha do 3º capitão do donatário, João Soares de Sousa, e de sua esposa, D. Guiomar da Cunha. Este comerciante possuía uma casa de Verão em Monserrate onde mandou edificar essa ermida sob a invocação de Nossa Senhora de Monserrate. Sobre os talentos deste, o cronista registou que, “(…) se vivera mais tempo, acabara por comprar toda a ilha e toda ela seria sua.

O atual templo foi erguido em 1735 pelo Capitão Manuel de Rezendes de Carvalho, de quem pouco se sabe, a não ser que o seu nome figura no corpo directivo da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Porto e registado em três documentos transcritos no Arquivo dos Açores (vol. XV, p. 87-89).

Patente na ermida encontrava-se uma campa rasa, recoberta com uma grande lápide de pedra da Crés, onde estava gravado o nome do fundador, ali sepultado. No entanto, conforme Arsénio Chaves Puim, esse túmulo foi vandalizado em tempos recentes (depois da década de 1960) e desapareceu.

Em meados do século XX a ermida, implantada em local isolado, encontrava-se já degradada, vítima de arrombamento frequentes das portas e de ocupação inapropriada do interior. Ao final da década de 1950, foi provisoriamente abandonada, procedendo-se à trasladação do seu espólio para as dependências da Igreja Paroquial de São Pedro. À época projetava-se reconstruir a ermida mais a leste, junto à estrada do Paul. Entretanto, após quase cinco décadas, a Junta de Freguesia de São Pedro deliberou proceder a restauração, no que recebeu o apoio da Câmara Municipal de Vila do Porto e o auxílio de emigrantes de São Pedro residentes na América do Norte. Os trabalhos estenderam-se de 1997 a 2005, com um orçamento estimado em cerca de 25 mil euros, e foi executado respeitando a traça original e no mesmo local.

 

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